Arquitetura: Equilíbrio entre tradicional e moderno – por Débora Foresti

O brutalismo foi um movimento na arquitetura moderna (anos 50 e 60) que explorou a idéia da construção sem acabamentos ou a verdade estrutural dos edifícios. Geralmente são prédios lineares, com uma geometria angular, que parecem fortalezas e o principal material utilizado é o concreto. Porém, o edifício pode ter suas características brutalistas através de outros materiais ou até mesmo de seus serviços (como tubos, cabos e fios) aparentes. A chamada Escola Paulista teve muita influência do brutalismo e alguns dos arquitetos representantes desse movimento são Vilanova Artigas e Paulo Mendes da Rocha. Os críticos do movimento dizem que sua aparência é fria, projetando uma atmosfera de totalitarismo e seus edifícios são geralmente ligados à deterioração urbana, já que se degradam com certa facilidade.

casa brutalista modernista

Casa Elza Berquo, projeto de Artigas (1967), um dos exemplos de arquitetura brutalista. Notem o concreto aparente da estrutura.

arquitetura brutalista industrial no museu pompidou

Centro George Pompidou, projeto de Renzo Piano e Richard Rogers (1977). Os serviços (tubos) são aparentes e este é um dos exemplos mais bacanas de brutalismo.

A residência que eu apresento hoje tem ares brutalistas, mas consegue ser acolhedora e moderna ao mesmo tempo. Mais uma vez, a grande contribuinte para que isso seja possível é a mistura de materiais. Reparem como o uso do tijolinho aparente, que é um dos métodos construtivos brasileiros mais tradicionais e a madeira quebram a rigidez do concreto exposto, que é bastante moderno (o seu uso em larga escala começou em meados do século XX).
casa de praia brutalista

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 Além disso, a sobreposição dos volumes dá um ritmo bastante interessante ao conjunto e o telhado plano de concreto cria uma varanda para o primeiro andar. Outro elemento que chama a atenção é o volume em cima da garagem em balanço, que dá a impressão de estar flutuando no espaço. Combinado às grandes aberturas com vidro, toda a estrutura ganha uma leveza enorme, apesar dos materiais variados.
casa moderna fachada em tijolinho

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telhado em concreto

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No interior, uma paleta neutra de cores nas paredes e pisos é combinada com cores fortes em alguns elementos de decoração, o que dá um ar divertido para a casa. O teto da sala ganha essa textura por conta do método de construção: o concreto precisa ser “enformado” em tábuas de madeira, que deixam sua impressão – como se fosse nossa impressão digital – depois que o concreto seca. O piso em tábuas de madeira, dá continuidade e uma sensação de unidade ao espaço.
cadeiras vermelhas na sala de jantar

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casa de praia moderna

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Pequenas intervenções de decoração quebram a rigidez das linhas retas e das cores neutras como a bancada vermelha e curva, os azulejos hidraulicos no banheiro, a coluna e cadeiras da sala e armários da cozinha pintados em vermelho.
bancada vermelha e piso cimento branco

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banheiro colorido

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armarios de cozinha vermelhos e madeira

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Eu gosto bastante dessa mistura de materiais. O concreto exposto geralmente dá um ar industrial e pesado aos ambientes, mas sabendo dosar e combinar com materiais mais leves, é uma ótima opção. O tijolinho aparente dá um ar de tradição e eu gostei bastante desse balanço entre tradicional e moderno. E vocês, gostam dessa mistura?
escultura, pedras e grama

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casa com aspecto industrial

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Casa Marítimo
Condomínio Marítimo, Tramandaí, RS
Construção: 2011/2012
Área: 357m2
Projeto: Seferin Arquitetura
Imagens: 1 | 2 | 3 a 12
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Aproveite para prestigiar a Débora no blog dela: Verdade Verdadeira