O segredo de uma boa decoração – parte V

Dando continuidade ao nosso curso de decoração, que já ensinou a listar as funcionalidades de cada ambiente, as sensações que eles vão transmitir, a construir conceitos, definir materiais, texturas e cores, é hora de aprender a colocar tudo isso na planta!

Sim, porque essa é a forma mais fácil de organizar suas ideias e ver como elas cabem no espaço que você tem disponível. Vamos ao passo a passo:

1. Desenhe a planta baixa atual

Primeiro, desenhe com detalhes a planta baixa atual. Você vai precisar de trena, lápis, papel (milimetrado pode ajudar, mas não é essencial), régua e borracha. Só.

trena de sapo

1. Uma trena bem mais divertida

Marque todas as distâncias entre as paredes, até portas, janelas e bancadas. Lembre de registrar largura e altura desses elementos e o pé direito do ambiente (altura total do piso ao teto). É importante marcar também onde ficam tomadas, interruptores, pontos de iluminação e qualquer desnível no piso, assim como para que lado abrem as portas e janelas. Essas informações vão ser úteis para evitar que você posicione um móvel que vá te atrapalhar ao acender as luzes da casa, ou que bloqueie a abertura de uma porta, por exemplo. Sem falar de onde fica um ponto de TV, que muda tudo, né?

layout de moveis no papel

Existem ferramentas online que podem te ajudar nesta tarefa, inclusive com visualização 3D. Mas isto é assunto para outro post!

2. Liste e meça os itens obrigatórios

Mas não caia na armadilha de achar que tudo é obrigatório. Aqui só cabe listar o que é realmente fundamental que permaneça no projeto como a pia da cozinha, o vaso sanitário, a cama do quarto ou um móvel que você não abre mão, não pode se desfazer ou trocar. Você pode até imaginar que um sofá em L vá ser uma solução bacana, mas se você ainda não comprou, agora é hora de esquecê-lo.

3. Inclua os itens obrigatórios na planta e complemente com outras possibilidades

Brinque bastante. Varie posições e móveis, quantidades e tamanhos. De novo: não se prenda a padrões. Volte no conceito que você definiu para ter certeza de que o layout e o tipo de móveis que você está escolhendo estão traduzindo o que você precisa. Uma sala para receber visitas não tem o mesmo layout de uma sala onde a família vai jogar videogame.

como fazer o layout da sala

Lembre-se que quanto mais possibilidades você fizer, mais soluções criativas vão surgir. E as boas ideias podem demorar, elas chegam só depois que você conseguir se libertar das soluções mais comuns e passar pelo desbloqueio criativo.

layouts para sala

2. Existem mil maneiras de se preparar um layout, invente a sua!😉

4. Dicas finais

A rota de fuga: Sei que é uma dica estranha: mas imagine (e desenhe) as rotas de fuga da casa em caso de incêndio. Por onde você vai ter que passar quando estiver correndo, morrendo de pressa? Se tiver um móvel bem no caminho, com certeza vai te incomodar ter que se desviar dele toda hora no seu dia a dia. Imagine também os caminhos mais frequentes: do quarto para o banheiro, da sala para a cozinha, etc. Vá melhorando a distribuição dos móveis a partir das suas observações. Só não vá para o outro extremo de fazer mil corredores pela casa, isso seria um desperdício de espaço. O segredo é somente evitar o bloqueio dos caminhos mais frequentes e importantes.

Cozinhas: desenhar o layout de uma cozinha é bem mais complexo do que o de um quarto ou sala de TV. Pra te ajudar tem um post aqui no blog dando dicas básicas de design de cozinhas, um de cozinha americana, e um só de cozinhas com ilhas.

triangulo de trabalho na cozinha

Diversas disposições para formar o triângulo de trabalho da cozinha

Distância entre móveis: antes de mais nada é importante ressaltar que não tem regra! Existem algumas diretrizes ergonômicas de distâncias mínimas para passagem, espaço entre cadeiras, etc. Mas cada casa tem uma realidade. Meu marido mede 2 metros e se eu resolver seguir alguns padrões, ele vai se sentir em uma casa de anões. O melhor a se fazer é pegar a trena e medir quanto espaço você precisa (e os outros moradores ou frequentadores do ambiente) para passar entre dois móveis, para se levantar do sofá, para comer com conforto à mesa. Ou cole o tamanho dos móveis no chão com uma fita crepe, depois tente passear pelo ambiente se desviando deles. Para ajudar, comece considerando uns 60 centímetros em áreas de passagem como o espaço entre o sofá e a mesa de centro e atrás de cadeiras da sala de jantar. Um lugar em uma mesa de jantar retangular pode ter uns 60 centímetros de largura por 40 centímetros de profundidade. Mas teste tudo. Prometo um post falando sobre isso mais detalhadamente em breve.

Encontre a terceira dimensão: este é um nível mais avançado, mas quem já estiver dominando a planta baixa pode começar a imaginar o ambiente em três dimensões (incluindo a altura dos móveis, das janelas, bancadas, luminárias, prateleiras, etc), e não somente as duas que estão no papel. Isso é importante para encontrar alternativas práticas de aproveitamento de espaço e evita que o sofá seja mais alto que a janela, por exemplo.

Continua…

Imagens: 1, 2

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Sobre Manu Mitre

Sou Engenheira Química e Designer de Interiores. Sim, sou super generalista e me envolvo em todos os assuntos que existem, adoro. E isso dá um resultado muito interessante. Comecei com o meu próprio apartamento, mudando até a cozinha de lugar. E ficou sensacional, sem falsa modéstia. Criei o Casa da Id&a em 2009 para mostrar um pouco o que eu acredito ser Design de Interiores de verdade – inspiração, design e arte. Sem “pode” ou “não pode”, o que importa é a mensagem e a sensação que o ambiente transmite.

3 respostas em “O segredo de uma boa decoração – parte V

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