Arquitetura: Um caco de vidro em Londres – por Débora Foresti

O Shard, quando acabado, será o edifício mais alto da Europa e provavelmente uma das intervenções urbanísticas mais radicais impostas à cidade por algum tempo ainda. Projetado para ser um complexo de uso misto – escritórios, hotel e residências –  está localizado perto de uma das estações de trem e metrô mais movimentadas de Londres: a London Bridge.

vista de londres

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The Shard quer dizer “O Caco (de vidro)”. Pontudo, brilhante e bem acima da linha do horizonte londrino, o edifício realmente parece um pedaço de vidro que caiu no meio da cidade. Sua sombra recai sobre o rio e, como não tem vizinhos tão altos, o reflexo do céu na sua fachada envidraçada, por vezes, faz com que chegue a parecer mesmo transparente.

A torre, com 317 metros de altura, 95 andares, é tida pelos londrinos como uma aberração. Não é pra menos, num país onde os centros das cidades são preservados através dos séculos, que um edifício desse porte cause estranhamento e até críticas muito negativas.

edificio em piramide

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O arquiteto por trás do projeto é Renzo Piano, um ícone da arquitetura contemporânea, com obras que, com certeza, ficarão para a história. Ele defende que, no caso do Shard, a ideia da torre veio da necessidade de se respirar ar fresco. Ir às alturas para aproveitar a atmosfera e que o edifício não é arrogante e sim sutil. Eu gostaria de acreditar que tudo isso, todas essas ideias e conceitos partiram mesmo de Piano, mas eu sou um pouco cética e acredito que tenha mais a ver com os donos do dinheiro (no caso um grupo árabe) do que com as ideias mirabolantes de um arquiteto conceituado.

lateral do the shard

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Mas agora, a poucos dias da obra ser completada, não há mais muito o que se fazer. Só poderemos mesmo criticar de forma justa depois que as pessoas passarem a usar o prédio e relatar o que elas sentem ao fazê-lo. E mesmo assim, teremos opiniões tão diversas que será difícil chegar a uma conclusão – afinal, a sua experiência é diferente da minha, que é diferente da de outra pessoa.

Vejam este vídeo também: http://vimeo.com/42193167.

Particularmente, não gosto do Shard – acho que é uma intervenção muito radical na cidade e que destoa demais da paisagem circundante. E você, pelas fotos e vídeo o que acham?

Para quem quiser mais detalhes, esta entrevista com Renzo Piano feita pelo site Dezeen vale muito a pena. Mas é em inglês.

Imagens: 123
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Aproveite para prestigiar a Débora no blog dela: Verdade Verdadeira
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Sobre Manu Mitre

Sou Engenheira Química e Designer de Interiores. Sim, sou super generalista e me envolvo em todos os assuntos que existem, adoro. E isso dá um resultado muito interessante. Comecei com o meu próprio apartamento, mudando até a cozinha de lugar. E ficou sensacional, sem falsa modéstia. Criei o Casa da Id&a em 2009 para mostrar um pouco o que eu acredito ser Design de Interiores de verdade – inspiração, design e arte. Sem “pode” ou “não pode”, o que importa é a mensagem e a sensação que o ambiente transmite.

4 respostas em “Arquitetura: Um caco de vidro em Londres – por Débora Foresti

  1. Oi manu!!!

    Nossa, eu adorei teu blog!!! Devorei vários posts e me identifico muito com a tua “linha de decoração”😀

    E me fala, tu é de Porto Alegre?! Eu vi num post que tu citou a cidade mas não consigo saber ao certo! Se for, vou ficar ainda mais feliz!!
    Bjux!

    • Oi, Leticia, que bom que gostou!
      Eu sou de BH, moro em SP e minha sogra é gaúcha, serve? rss
      Visitei seu blog e ainda estou com a página aberta, lendo tudo, adorei!
      bjs
      Manu Mitre

  2. Pô, eu gostei do Shard.

    Acho que essa mistura do moderno com o antigo é bem bacana.

    E também acho que é algo natural, faz parte da nossa natureza e parte da história do mundo… se pensarmos bem, os prédios históricos de Londres (bem como de outras cidades como Paris, Roma e muitas outras) hoje são decorados e habitados por pessoas modernas, então a mistura já está feita, ela está por todos os lados, talvez só não estejamos prestando atenção a ela. E o Shard faz com que a gente olhe e reflita, e só por isso, já merece meu respeito. Acaba virando não só um prédio, mas no meu ponto de vista, uma intervenção artística… tudo bem, se tivesse sido projetado pelo Frank Gehry (que já fez coisas polemicas como o Museu Guggenheim Bilbao e a Casa Dançante em Praga) talvez eu gostasse até mais, rsrsrs, mas acho bem válido. Acho que precisamos preservar a história do mundo, mas a história está em constante evolução e é importante continuar escrevendo. Lembrei até de uma frase do filme Gladiador (rsrsrs)… “O que fazemos hoje, ecoa na eternidade”.

    Acho que fui longe demais ;-P

    • haha André,
      Que bom que você gostou do Shard. Acho que eu já me “inglesei” demais e vejo esse “monstrengo” com outros olhos! Mas você tem razão no seu argumento de que a história evolui. Eu só acho que talvez o prédio não represente essa evolução da maneira mais correta. Mas muito obrigada pela argumentção, essa discussão é muito legal!🙂

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