Entrevista e House Tour, com Helô Righetto

Heloisa Righetto

Hoje queria apresentar a vocês a Helô Righetto. A Helô é designer, já trabalhou na Tok & Stok mas, com as voltas que a vida dá, se viu morando em Londres. A partir daí se tornou uma pesquisadora de tendências e correspondente brasileira na Europa para várias revistas especializadas em Design e Decoração (inveja branca dela, viu?). Admiro muito o trabalho dela.

Ela tem um blog pessoal bem bacana, o Básico e Necessário. E vale a pena conferir, por exemplo, o guia de design que ela está fazendo para várias cidades do mundo. Enfim, achei vocês iam gostar de conhecê-la também… aproveitem!

Como você define o que é design?
Eu honestamente ainda não cheguei a uma conclusão sobre definição do design e pra falar bem a verdade, acho até melhor. Design é uma coisa tão abrangente, tão útil e intrínseca nas nossas vidas, que fica difícil falar em poucas palavras. Muita gente relaciona design com luxo, ou com móveis, ou com carros, ou com produção industrial. Normal, principalmente no Brasil, onde essa disciplina caminha a passos mais lentos. O que eu gosto de dizer é que o design deve servir ao homem. Seja em forma de uma bicicleta que te leve de casa ao trabalho, de uma batedeira que te ajude a fazer um bolo, ou de um abrigo provisório que vai ser de lar para pessoas que perderam tudo em desastres. 

E um bom designer? Você tem seus prediletos?

Acho que um bom designer precisa ser inquisitivo e bom observador. Achar soluções viáveis e simples, que possa ser compreendidas fora do mundinho do design. Não acho que um diploma seja essencial, na verdade sou um tanto quanto radical nesse assunto. As universidades ainda estão presas nesse negócio de gráfico ou produto. A gente sai da faculdade (falo a gente porque sou formada nisso) com a cabeça meio fechada, achando que precisamos trabalhar em uma fábrica para exercer nossa profissão. Cientistas, por exemplo, têm muito o que oferecer ao mundo do design, assim como professores, engenheiros. Detesto esses protestos contra a banalidade da palavra design. Por que não pode ser cake design? Ou design de unhas? Não vejo problema algum, ajuda a difundir o tema e auxilia o entendimento. Fazer um bolo é tão ou mais desafiador do que fazer uma cadeira, ser manicure requer um nível de atenção de detalhamento altíssimo. Que bobagem perder tempo com isso!

Mas, quanto aos meus preferidos: gosto muito do francês Mathieu Lehanneur, que sempre adiciona um quê de ciência em seus projetos. Admiro vários outros por razões mais estéticas mesmo, como o Sérgio Rodrigues.

E como é escrever sobre design justo em Londres?

É maravilhoso. Abri muito minha cabeça aqui, principalmente na questão do uso do design para servir ao homem. Aqui o design já está mais intrínseco na sociedade, e eles gostam de experimentar mais. Fora isso, aqui é bem claro que design combina muito bem com outras disciplinas, e eles estão interessados também no processo, ao invés de apenas pensarem no resultado final. Foi uma loucura quando cheguei, fiquei besta com a quantidade de exposições, eventos, estúdios… todo dia tem algo acontecendo, parece que o mundo quer vir a Londres para ver e ser visto. Então é minha tarefa agir como comunicadora e tentar passar um pouco do que vejo para o Brasil. 

pontos de interesse design londres

Qual a sua percepção da contribuição do Brasil no cenário de design mundial hoje em dia?

Acho que o Brasil tem que aproveitar esse momento “crista da onda” para aparecer. Eles conhecem muito pouco de design brasileiro aqui, de outros países latinos ainda menos. Por exemplo, eles sabem dos Campana, mas não sabem de Sérgio Rodrigues! Mas acredito que o interesse está crescendo, eles estão tentando nos conhecer melhor para aprender com a gente. 

O brasileiro sabe valorizar design? Quais as diferenças entre os europeus e nós, por exemplo?

Não gosto de fazer comparações, porque pode soar esnobe, sabe? Mas, basicamente, os europeus estão mais acostumados, não vêm o design como luxo. E os estudantes são muito mais interessados no fazer, no conceito. Penso que no Brasil a palavra design ainda causa estranhamento, ou como eu falei antes, seja diretamente ligada com produtos. Mas tudo no seu tempo, sou otimista e acho que a gente alcança esse nível de compreensão e aceitação.

Conte um pouco da decoração da sua casa?

Minha casa tem um pouco de tudo, uma mistura. Eu não gosto muito de fazer planta e pensar milimetricamente. Vou ajeitando as coisas que tenho, mudando de lugar. Gosto de lembranças, memórias. Gosto de luminárias espalhadas ao invés de iluminação direta, do teto.

Lembranças de viagens, mini cadeiras de design e mil detalhes que personalizam a decoração da casa da Helô. Comece a reparar nas luminárias espalhadas pela casa, todas diferentes, compondo a iluminação e contribuindo para a decoração do ambiente.

Gosto de ir pregando os quadros na parede sem ficar testando no chão antes (honestamente acho essa a dica mais pentelha das revistas de decoração). Tenho uma mesa de centro que achei no lixo e reformei ao lado de uma cadeira Eames, tenho uma outra cadeira comprada em um mercado de pulgas, móveis Tok&Stok, Ikea. Enfim, mistureba mesmo.

A poltrona Eames e a mesinha que foi encontrada no lixo

Tenho muito apego pelas coisinhas compradas em viagens e pelas coisas herdadas, como os vasos de porcelana da minha vó, a coleção de tampas cerâmicas da minha sogra, e o lustre e o relógio cuco dos meus sogros.

Uma coleção de lembranças de viagens mantém à vista a memória de bons momentos.

Confesso que também tenho apego pelas luminárias que desenhei na época que eu era designer da Tok&Stok e por uma poltrona Pelicano que comprei na loja de saldos da Tok&Stok, desenhada pelo Michel Arnoult. Ela é o cúmulo da simplicidade e demonstra perfeitamente aplicação de conceitos simples e o bom olhar do designer em relação ao processo produtivo.

Michel Arnoult

Esta é a poltrona do Arnoult. Reparou no quadro no chão? E no vasinho da orquídea que é um regador? E mais uma luminária.

Cortina estampada linda, móvel da TV nada óbvio e nichos organizados como quadros para guardar os CDs. E mais uma luminária. Não é uma casa aconchegante e com personalidade?

Quais seus projetos profissionais para o futuro?

Estreitar relações com as mídias que já trabalho no Brasil pra continuar escrevendo. Tenho um projeto muito bacana com o site da Casa Vogue, os guias 48 horas de design, que é meu xodó. Quero ver se desenvolvo isso melhor. Gostaria de ter uma coluna mensal em alguma revista ou jornal, sobre tendências do design. E também escrever um livro, mostrando como o design pode salvar vidas.

Boa sorte, Helô! Estou na torcida pelo seu sucesso e sempre acompanhando seu trabalho daqui do Brasil😉

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