Zezão no Choque Cultural

Fui sábado em uma exposição do Zezão, lá no Choque Cultural (Vila Madalena). Você deve conhecer as pinturas que ele costuma fazer ao redor de bueiros, mas a exposição tomou conta dos três andares da casa e em poucos trabalhos você vai reconhecer as famosas linhas azuis deste graffiteiro.

quadro grafite

Alguns quadros de colagens de madeira com a marca registrada do Zezão estão no segundo andar.

Ele estava no terceiro andar e rolou um bate-papo muito gostoso.

zezao graffiti

Quando a gente chegou ele estava batendo um papo com o Cazé da MTV.

Depois de um tempo olhei pra trás a sala estava cheia, tinha virado praticamente uma palestra, e todo mundo ouvindo atentamente o que ele contava das experiências do que vive – descobrindo as galerias subterrâneas e se enfiando em cada lugar inacreditável para colorir um pouco as cenas urbanas tão tristes. E arte urbana tem isso, mesmo. Estética e cores que chamam a atenção pelo contraste com o cinza, o sujo e abandonado nas cidades. E não é por menos que toda a casa está com paredes pretas ou cinzas para caracterizar ainda mais a street art do Zezão.

E foi no terceiro andar que ele me surpreendeu com quadros ultracoloridos. Ele contou que começou a pintar esse estilo quando precisava economizar e por isso usava restos de latas de tinta spray.

street art zezao

Neste quadro ele usou estêncil, spray, canetas e muitas cores.

Ele contou que tinha dificuldades em utilizar várias cores, que o preto e branco eram tão mais fáceis… e começou brincando com bolinhas, nuvens e degradês para tomar coragem de se arriscar mais e chegar no que hoje são quadros lindos. Pelo que ele disse, um quadro desses tem 3 a 5 tons de cada cor e ele leva dias pensando e criando, o que é muito diferente do graffiti de rua, que é mais rápido e objetivo. Viu só? Trabalhar com cores não é uma coisa que você nasce sabendo. Tem que estudar, testar, arriscar…

instalacao de graffiti zezao

A "tela" desta pintura foi o piso de um ônibus.

graffiti quadro

Molduras luxuosas para a arte. E ao fundo a paisagem da realidade urbana. O contraste seria por protesto ou estética? Para mim funciona pros dois.

Não vou postar todas as fotos, você tem que ir lá ver ao vivo…

até dia 07 de agosto na João Moura 997

E para quem quiser ver o arquivo de fotos dele, visite a página do Zezão no Flickr.

Aproveite a passagem e visite a casa em frente. Ela será demolida em um mês, mas um acordo do Choque Cultural com o dono permitiu que ela fosse ocupada por artistas e está fantástica.

Casa ocupada em frente ao Choque Cultural, toda coberta de lambe-lambe.

parede de lambe-lambe

Toda coberta com lambe-lambe, como se fosse um papel de parede, esta cozinha ficou especialmente interessante por ser monocromática, do chão ao teto. Só o frigobar quebra o padrão, coberto de colagens.

graffiti no banheiro

O banheiro também é coberto de lambe-lambe, só vermelho, e as louças e piso são graffitados de preto.

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6 respostas em “Zezão no Choque Cultural

  1. Eu adooorei o quase “workshop” que tivemos também!!
    E vale ressaltar a simpatia do Zezão e como ele consegue juntar a arte com a comoção pela humanidade e pelas pessoas que vivem outra realidade!
    Vale a pena conferir!!!
    A idéia do Teddy em ir ver a exposição foi fantáaastica!!!

    Saudades!!
    beijoos

  2. Pingback: Street Art – os graffiteiros vão invadir sua casa « casa da id&a

  3. O papo com o Zezão foi genial. Muito bacana ouvir o próprio artista falando sobre a sua inspiração e suas intenções. Ele contou coisas que dificilmente prestamos atenção, como o cuidado que ele tem em preservar as manchas que ele encontra nas paredes ou usa-las para compor melhor suas obras. Muito interessante reparar nesses detalhes. Vale muito a pena ir na exposição e olhar com calma as obras.

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